terça-feira, 14 de junho de 2011

Edifício Pixel - Melbourne


Dia 6 de julho um engenheiro da Umow Lai, empresa de consultoria de conforto ambiental e conservação de energia, vai ao escritório em que trabalho falar sobre a consultoria feita ao projeto do Edifício Pixel em Melbourne.
Ok, o prédio é meio estranhão, mas tá meio que no "estilo contemporâneo" aqui da Austrália, talvez eu ainda não tenha escrito sobre isso mostrado exemplares do tipo, mas principalmente em Melbourne é impressionante a liberdade formal e a variedade e mistura de materiais que usam. Na minha opinião a Austrália ainda está construindo uma identidade arquitetonica misturando sua cultura com uma forte influência da arquitetura européia (que dominam as publicações) e uma variedade de referências asiáticas que aparecem pontualmente em alguns projetos.


Esse edifício conseguiu 6 estrelas no Green Star com 105 pontos (pontuação máxima de 100 mais 5 por inovação), não consegui apurar, mas nenhum edifício na Austrália conseguiu essa pontuação até hoje.
O projeto é do Studio 505, mas iniciativa foi da construtora Grocon que idealizou o edifício como um protótipo de como devem ser construídos os próximos escritórios na Austrália.

O edifício é o primeiro Carbono Neutro da Austrália, ou seja, o edifício produzirá toda a energia que consome e o seu excedente será colocado na rede. É 100% independente da rede de água e usará 100% de ar fresco (o ar aquecido ou resfriado é liberado depois de circular pelo edifício), terá também um sistema automatizado de ventilação noturna para resfriamento do edifício. Os chillers serão a gás e não elétricos, como em tradicionalmente na Austrália, reduzindo muito o consumo de carbono, o uso de amonia como combustível para refrigeração significa nenhum risco de degradar a camada de ozônio.
Captação de energia solar por paineis de células fotovoltáicas fixos e ajustáveis, e uso de uma nova tecnologia em turbinas eólicas pela primeira vez utilizadas na Austrália.
Foi também utilizada uma mistura de concreto desenvolvida pela Grocon que reduz à metade o uso de carbono através da utilização de agregados reaproveitados.
Segundo a construtora, após exaustivos estudos de 3D o edifício atingiu aproveitamento de 100% de luz natural com controle de ofuscamento apenas com o sombreamento dos brises e telas externas, sem a necessidade de cortinas ou persianas.
Mais detalhes AQUI



Estou bastante curioso para esse palestra, conhecer com mais detalhes o projeto desenvolvido e entender as estratégias utilizadas, até porque os dados são bem otimistas, pra não dizer impressionantes!

domingo, 12 de junho de 2011

Biblioteca em Surry Hills - Sydney



Surry Hills é um dos bairros mais interessantes e charmosos de Sydney, popular por ser residencial de baixa densidade e com arquitetura muito preservada, bem próximo do centro da cidade e principalmente pelos restaurantes e bares que se estendem pela Crown st. É o tipo de vizinhança que atrai artistas, designers e arquitetos, não por acaso muitos escritórios se estabeleceram na região e os bares se tornaram ponto de encontro.
Na Austrália a biblioteca tem função de centro comunitário e além do acervo impresso ou multimídia (e internet grátis) oferecem todos os tipos de cursos e palestras que atraem os moradores, cada bairro tem a sua com um perfil diferente e moldado pelo interesse dos moradores.




Em Surry Hills a biblioteca era muito pequena que não conseguiu acompanhar as mudanças e valorização do bairro, cada vez mais rico culturalmente, em 2004 foi discutida a necessidade de se construir um novo edifício que pudesse abrigar um acervo melhor e servir mais pessoas. Em 2005 o escritório FJMT venceu a concorrência para desenvolver o projeto da nova biblioteca, os moradores foram consultados e definiram as diretrizes que deveriam ser seguidas para o novo projeto, o edifício ficou pronto em 2009 com um custo aproximado de AU$ 16 milhões





Umas das condições seria criar um edifício que servisse de referência em sustentabilidade para outros novos edifícios, algo que deixasse uma marca na cidade. Sem dúvida um assunto que é moda hoje em dia, mas que é compreensivo pelo ponto de vista do poder público, um edifício desse porte é planejado para durar entre 50 e 100 anos e é mais inteligente investir mais dinheiro num projeto mais caro que reduzirá sensivelmente o gasto com manutenção e o consumo de energia já que a prefeitura é quem arcará com essas despesas ao longo de todos esses anos. A população aqui compreende e exige esse tipo de postura do governo.







O programa é distribuído em 4 andares, no térreo e no subsolo estão sala de leitura e acervo, no primeiro andar as salas comunitárias e eventos e no segundo andar a área infantil e creche.
Em parte do terreno foi criada uma pequena praça que destaca o edifício, principalmente por revelar a fachada de vidro com as plantas, a transparência nesse caso tem função de convidar as pessoas ao edifício, por isso o sala de leitura está no térreo e o acervo "escondido" no subsolo, mas com passagem pelo átrio de pé direito triplo onde estão as plantas, uma escada escultural que indica o acesso. Os outros dois andares são mais protegidos do público.



Painéis de célula fotovoltáica produzem energia complementar que pode contribuir em até 6 horas diárias.
A água da chuva é coletada na cobertura e armazenada em um tanque de 62 mil litros, 100% essa é usada (e re-utilizada) nos banheiros e em irrigação.
O ar é coletado em uma abertura no alto do edifício e cruza a fachada envidraçada (sul), uma espécie de "átrium verde" onde está plantada a vegetação que naturalmente filtra o ar, que depois é conduzido no subsolo onde passa por um labirinto de concreto que funciona como um radiador retirando o calor do ar, que resfriado cruza todos os andares do edifício, esse sistema reduz em 50% o uso de ar-condicionado.
Os brises na fachada principal possuem sensores que "seguem" o Sol protegendo a fachada da radiação direta e permitindo a iluminação natural.












terça-feira, 31 de maio de 2011

Frank Gehry em Sydney


O edifício Dr. Chau Chak Wing da Faculdade de Administração será o primeiro projeto de Frank Gehry na Austrália. Esse projeto faz parte de um investimento de AU$ 1 bilhão ao longo de 10 anos que a University of Technology Sydney (UTS) irá fazer em todo seu campus, e o nome do edifício foi dado em homenagem ao empresário e filantropista sino-australiano que doou AU$ 20 milhões para sua construção e mais AU$ 5 milhões como crédito para bolsistas chineses.
O investimento total será de AU$ 150 milhões em um edifício de 11 andares que Gehry "jura" ter projetado de dentro pra fora, priorizando os espaços de ensino e aí sim cobrindo com uma fachada com a sua assinatura.


Uma das críticas ao projeto foi que sua localização edifício não é tão glamurosa para receber um edifício que teria potencial para ser uma referência arquitetônica na cidade, não que não merecesse, mas é um ponto da cidade com muitas limitações históricas e urbanísticas, de qualquer forma o edifício é bem interessante pois a fachada leste será totalmente em tijolo tradicional australiano dialogando com os edifícios históricos vizinhos e em uma entrevista comentou que a estrutura interna foi projetada como uma casa de árvore para gerar um ambiente criativo que é como deve ser um ambiente educacional, não vi nada disso nas imagens, mas fiquei bastante curioso para ver como o projeto se desenvolve.
A fachada oeste será mais agressiva em vidro espelhado e fragmentado para refletir a arquitetura dos edifícios tombados ao redor, o conceito é bem interessante e eu particularmente achei muito bonita, mas fachada oeste envidraçada... em tempos de "green buildings" e etc... bom, a gente sabe que no fim das contas vai ser certificado em "6 estrelas" e ganhar prêmios pelo mundo afora.

Divisórias em Gesso Curvas


Esse é um detalhe legal de um projeto que estou trabalhando, nós projetamos umas salas bem orgânicas que são uma espécie de referência dentro do edifício, dentro delas tem salas de aula que podem ser expandidas ou divididas conforme a necessidade e do lado de fora as formas curvas quebram a monotonia dos corredores.

Ainda não tenho 3D's, mas é parecido com o que está nessa foto acima que foi construído naquele projeto do ANZ que comentei em outro post, só que bem mais interessante e irregular, quando puder divulgar alguma coisa eu coloco no Blog.
As fotos abaixo é de um protótipo que fizemos para o projeto.


Enfim, como isso é feito?
Primeiro é montada uma estrutura como as de paredes de gesso comum na forma que se deseja, para formas curvas deve-se usar os perfis que são ajustáveis e podem ser dobrados nas curvas desejadas.
O gesseiro vai se ferrar, o cara tem que ser bom e paciente e fazer a marcação considerando a espessura do painel que será fixado, lógico que tudo isso vai estar desenhado, mas não vai ser fácil seguir as referências corretamente. No nosso caso todo o detalhamento será feito com coordenadas de GPS e não cotas, um "pedreiro" (?!) vai ajudar o gesseiro na hora marcando os pontos no local com um GPS, sério, eu pago pra ver isso funcionar! Um colega meu de trabalho foi o BIM Manager no projeto de um outro prédio (um dia vou escrever sobre ele) em que toda a planta é circular, usaram o mínimo de cotas e o máximo de referências com o GPS e funcionou.

Bom, depois de pronto o fixa-se à estrutura um painel que a empresa Flexene produz, uma espécie de isopor bem espesso que é vincado e pode ser dobrado e modificado à vontade. Depois de fixado o painel deve-se aplicar uma camada de revestimento, uma espécie de reboco, que vai ocupar o espaço dos vincos e travar a peça na forma final. Outras camadas podem ser acrescentadas para aumentar a resistência ou até impermeabilizar o painel para o caso de ser um elemento externo.


Já pensou detalhar esses perfis em corte? Se eu puder, quando o projeto avançar vou publicar mais coisas aqui.

Southern Cross Station - Melbourne


O projeto da Southern Cross Station começou em 2002 tendo em vista qualificar o transporte público de Melbourne para receber o Comonwelth Games de 2006 e além da estação intermodal o complexo incluiu um centro de compras para 120 lojas e 800 vagas de estacionamento.
Nicolas Grimshaw venceu o concurso e desenvolveu o projeto com a parceria do escritório australiano Jackson Architecture.


O conceito é basicamente uma grande cobertura em estrutura metálica para abrigar as linhas de trem, possibilitando uma visão periférica da estação e máxima permeabilidade com a cidade. Os escritórios e salas de todos os tipos que servem a estação são espalhados em "Pods" (como eles gostam de chamar aqui) mini-edifícios construídos sob a cobertura e com estrutura independente.



O detalhe interessante da cobertura é que sua forma orgânica tem função de recolher o todo ar quente/fumaça e partículas de diesel nos glóbulos que se sobressaem e naturalmente ventilar para fora da estação por aberturas no ponto mais alto.

A área total do projeto é 60.000 m² e a cobertura corresponde a 34.000 m². O investimento total em 2002 foi de AU$ 700 milhões (valor da época) e em 2007 um investimento extra de AU$ 1.2 milhões foi feito para adaptar um sistema de coleta de água de chuvas à cobertura, a quantidade de água captada estimada em um ano é de 20 milhões de litros.

Em 2007 o projeto recebeu o Lubetkin Award do RIBA (Real Instituto Britanico de Arquitetura)


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Greenschool - Bali


 A Greenschool de Bali é uma das muitas "escolas internacionais" que existem na ilha e seria uma iniciativa comum não fosse baseada na sua origem em princípios de sustentabilidade (o próprio nome deixa bem claro), sem querer aprofundar muito na história da escola (mais detalhes aqui) ela foi fundada pelo casal John e Cynthia Hardy, críticos do sistema educacional atual e educados seguindo a filosofia de Rudolf Steiner, imaginando uma forma melhor para educar seus filhos e de alguma forma dar a Bali algo em troca por tudo que receberam e viveram na ilha. Um detalhe interessante é que o grande terreno onde a escola se situa é alugado, pois não querem incentivar que o povo balinês venda suas terras.


A primeira impressão é a do uso de bambus em toda a estrutura dos edifícios. A idéia é usar os edifícios como laboratório para desenvolvimento de métodos construtivos com bambu e outros materiais, usando técnicas locais, testadas e pesquisadas onde quer que seja. Além da sua flexibilidade e resistência, sua extração é controlada e é uma das plantas com tempo de crescimento mais rápido no mundo.


Mas o mais interessante é observar que os prédios não tem parede! O telhado funciona como maior proteção ao tempo e a única vedação, e mesmo assim apenas em alguns edifícios, são paineis "rolôs" em bambu
Os telhados são bem altos e avançam até bem próximo do chão sombreando os ambientes e permitindo a entrada do ar fresco e a saída do ar quente pela parte de cima da cobertura (efeito chaminé), isso torna os ambientes muito confortáveis apesar do calor constante da região.
Os diversos tipos de cobertura explorados sempre possuem abertura que permitem uma suficiente entrada de luz, algumas são estruturadas de forma espiral e as aberturas são mais bem distribuidas, outras tem a abertura apenas no topo.



O método de ensino segue o método de Rudolf Steiner e fica claro na estética e proporção dos esdifícios a filosofia antroposófica, a idéia é usar a arquitetura para incitar as crianças a compreender e serem mais curiosas em relação aos materiais que usamos no nosso dia a dia, de onde vêm, como são produzidos, qual o impacto da sua extração e do seu uso e a necessidade de se viver num ambiente mais integrado com o meio ambiente.



A Greenschool ainda não é 100% desprendida da rede de energia, mas caminha nesse sentido utilizando painéis fotovoltáicos, bio-diesel e irá instalar em breve uma mini usina hidrelétrica na queda d'água do rio que corta seu terreno. A escola possui mais de 50 edificações de diversas escalas, entre salas de aula, área de convívio, banheiros, ginásio e está constantemente sendo ampliada, a empresa responsável pelo design e construção é a PT Bambu que tem interesse de pesquisar e promover o bambu com matéria prima para grandes estruturas e não apenas pequenas construções.



Em 2010 a escola foi finalista do prêmio Aga Khan.
 
Agradecimento especial ao Ben que nos acompanhou numa visita pela escola depois do horário da visita "oficial" ter acabado! (brasileiro vocês sabem como é, né...).
E pra quem quiser conhecer mais mesmo sem ter viagem pra Bali marcada... Youtube

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lumbung - Bali


Nada como um feriado prolongado pra dar uma enforcada no trabalho e passar uma semana longe do computador... do computador, porque arquiteto não tem jeito, não pode ver uma parede e já quer saber como e porque ela foi parar lá!


São muito comuns em Bali os hotéis com esse tipo de cabana, em estrutura de madeira e telhado de folhagem seca, a primeira impressão é que são tradicionais da ilha e que gerações de pescadores viveram nesse tipo de abrigo. Pois os Lumbung, seu nome em balinês, são extremamente tradicionais sim, mas serviam como armazém para a colheita do arroz, a principal cultura da agricultura local.


Bali sempre foi muito frequentada por turistas, mas não necessariamente estava preparada para recebe-los, como tempo a indústria hoteleira cresceu e se equipou, antes disso muitos dos visitantes alugavam os charmosos  (e vazios) Lumbung para passar suas férias.
Por serem de fácil construção, muito adaptados ao clima e de mínima manutenção, acabaram ganhando novo uso.


Hoje em dia a maneira como são construídos é diferente e adaptada às facilidades e técnicas modernas, mas o conceito e os materiais são os mesmos.
A parte alta onde os grãos eram guardados longe da umidade e protegidos do calor é o quarto, a parte inferior devia ser usada para guardar ferramentas ou utensílios e sem dúvida para convívio hoje tem uso parecido só que nome mais "contemp", lounge.




quarta-feira, 20 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Glasshouse - Port Macquarie


Não, não é uma versão australiana das famosas casas modernistas que todo arquiteto parece ter obrigação em um dia projetar...
A Glasshouse é um Centro Cultural projetado pelo escritório Tonkin, Zulaikha Greer em Port Macquarie, uma tradicional cidade australiana de 38.000 habitantes que foi uma das colônias penais britânicas no séc 19.
O terreno onde foi construído também abriga um sítio arqueológico como no edifício da YHA e obviamente, além de todas as restrições que devem ter sido impostas, recebeu tratamento especial se tornando parte das “atrações” do Centro.

O edifício já foi listado como um dos mais bonitos da Austrália fora das capitais, principalmente pela sua arquitetura de interiores e trabalho com madeira local.
Recebeu os seguintes prêmios:
2010 Australian Institute of Architecture (NSW) Blacket Prize for Regional Architecture.
2010 Australian Institute of Architecture (NSW) Commendation in the Sulman Award for Public Architecture.
2010 Winner National Commercial Interior Fitout Award, Australian Timber Design Awards.
2010 Winner Central Region Commercial Interior Fitout Award, Australian Timber Design Awards.
2010 Winner, Best Use of Australian Certified Timber, Australian Timber Design Awards.

Sítio Arqueológico

Revestimento em madeira na parte externa do Teatro
O conceito do projeto é usar as vedações externas em vidro como uma vitrine para teatro, que é todo revestido em madeira, esse efeito pode ser percebido a noite vista do lado de fora com sua forma escultural iluminada. O espaço criado é utilizado como foyer e circulação, além de abrigar as salas de exposição em 3 andares.
A área total da construção é 600m² e ainda abriga um um estúdio para ensaio com 140 lugares.


A capacidade do Teatro, que também pode ser utilizado como Sala de Concertos, é para uma platéia de 606 espectadores, relativamente pequeno, mas ideal para uma cidade do prote de Port Macquarie. Não ser tão grande também possibilita um tratamento acústico versátil (diferentes usos), mais preocupado com a qualidade do som e bastante detalhado, os painéis de absorção/difusão desenvolvidos nesse projeto pela Arup Acoustics dão característica única ao edifício.



Detalhe dos painéis acústicos

O custo total final da obra foi de aproximadamente 30 milhões de dólares australianos, que pra um equipamento cultural é bastante barato para padrões daqui.