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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Baroque Bistro - Sydney

Eu passo sempre na frente desse bistrô e reparava nessa cobertura, deve ser porque sou arquiteto, na verdade as pessoas não parecem dar muita atenção a ela. Ponto pra arquitetura na velha discussão de intervenções modernas em edifícios antigos.
O edifício histórico no The Rocks (já comentei um pouco sobre o bairro nesse post) que foi restaurado fica bem na esquina de uma bifurcação formando uma pequena praça, essa cobertura foi construída para servir de marquise de entrada para o bistrô e abrigo para mesas do lado de fora.
Na verdade eu não consegui descobrir quem fez o projeto da cobertura, a melhor pista que encontrei foi quem fez o projeto de interiores, que é bem legal e segue a mesma linha contrastando novo/antigo deixando o revestimento original e a estrutura aparente. No website do DJE não tem muita explicação sobre o projeto, mas imagino que tenham sido eles que fizeram a área externa também.




Imagino que qualquer tentativa de fazer algo mais "sóbrio" ou tradicional não teria o mesmo efeito e a arquitetura tem que refletir o tempo em que vivemos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Southern Cross Station - Melbourne


O projeto da Southern Cross Station começou em 2002 tendo em vista qualificar o transporte público de Melbourne para receber o Comonwelth Games de 2006 e além da estação intermodal o complexo incluiu um centro de compras para 120 lojas e 800 vagas de estacionamento.
Nicolas Grimshaw venceu o concurso e desenvolveu o projeto com a parceria do escritório australiano Jackson Architecture.


O conceito é basicamente uma grande cobertura em estrutura metálica para abrigar as linhas de trem, possibilitando uma visão periférica da estação e máxima permeabilidade com a cidade. Os escritórios e salas de todos os tipos que servem a estação são espalhados em "Pods" (como eles gostam de chamar aqui) mini-edifícios construídos sob a cobertura e com estrutura independente.



O detalhe interessante da cobertura é que sua forma orgânica tem função de recolher o todo ar quente/fumaça e partículas de diesel nos glóbulos que se sobressaem e naturalmente ventilar para fora da estação por aberturas no ponto mais alto.

A área total do projeto é 60.000 m² e a cobertura corresponde a 34.000 m². O investimento total em 2002 foi de AU$ 700 milhões (valor da época) e em 2007 um investimento extra de AU$ 1.2 milhões foi feito para adaptar um sistema de coleta de água de chuvas à cobertura, a quantidade de água captada estimada em um ano é de 20 milhões de litros.

Em 2007 o projeto recebeu o Lubetkin Award do RIBA (Real Instituto Britanico de Arquitetura)


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lumbung - Bali


Nada como um feriado prolongado pra dar uma enforcada no trabalho e passar uma semana longe do computador... do computador, porque arquiteto não tem jeito, não pode ver uma parede e já quer saber como e porque ela foi parar lá!


São muito comuns em Bali os hotéis com esse tipo de cabana, em estrutura de madeira e telhado de folhagem seca, a primeira impressão é que são tradicionais da ilha e que gerações de pescadores viveram nesse tipo de abrigo. Pois os Lumbung, seu nome em balinês, são extremamente tradicionais sim, mas serviam como armazém para a colheita do arroz, a principal cultura da agricultura local.


Bali sempre foi muito frequentada por turistas, mas não necessariamente estava preparada para recebe-los, como tempo a indústria hoteleira cresceu e se equipou, antes disso muitos dos visitantes alugavam os charmosos  (e vazios) Lumbung para passar suas férias.
Por serem de fácil construção, muito adaptados ao clima e de mínima manutenção, acabaram ganhando novo uso.


Hoje em dia a maneira como são construídos é diferente e adaptada às facilidades e técnicas modernas, mas o conceito e os materiais são os mesmos.
A parte alta onde os grãos eram guardados longe da umidade e protegidos do calor é o quarto, a parte inferior devia ser usada para guardar ferramentas ou utensílios e sem dúvida para convívio hoje tem uso parecido só que nome mais "contemp", lounge.




terça-feira, 15 de março de 2011

Skilled Park Gold Coast

O Skilled Park é o estádio do Titans, time de Rugbi League da Gold Coast formado em 2004.
Umas das condições para participar da liga nacional em 2007 era possuir um estádio seguindo os padrões do campeonato. Por ser um time novo, o projeto deveria considerar o melhor custo benefício e ainda contaria com a ajuda da prefeitura que investiria a maior parte do dinheiro visando qualificar a região com uma Arena que pudesse abrigar eventos esportivos e shows.
A Gold Coast é uma cidade relativamente pequena, 505.000 habitantes, mas é sexta maior da Austrália, e uma das que mais cresce economicamente, principalmente impulsionada pelo turismo, mas ainda não possuia um estádio de primeira linha.

A capacidade do estádio é ótima, 27.000 lugares, se considerarmos o tamanho da cidade e que o time ainda não completou dez anos de existência. Mas o que chama a atenção no projeto realizado pelo escritório HOK Sport Architecture, atual Populous, é a simplicidade construtiva, todos os elementos são pré-fabricados e industrializados, apenas montados no local, isso é fundamental aqui na Austrália, pois a mão-de-obra é muito cara e consequentemente quanto mais curto o tempo de execução, mais barata a obra. Por conta disso gasta-se bastante tempo no planejamento e desenvolvimento do projeto, as soluções corretas e o máximo de detalhamento são decisivos no custo final da execução.


Simplicidade construtiva
Entrada por setores no nível do estacionamento

Dois pilares metálicos se poiam na mesma base, um deles forma um arco e o outro é o apoio principal de uma viga que faz o travamento entre as duas peças e suporta a arquibancada pré-fabricada em concreto. A lona tensionada fixada na estrutura metálica dá a forma do estádio, o material chama-se PTFE e proteje as arquibancadas da chuva e do sol (o fabricante garante até 73% de proteção térmica), e é translúcido, permitindo ao estádio “acender” a noite quando os holofótes são ligados e ganhar monumentalidade.

Toda infra-estrutura é aparente e a área entre a arquibancada e a lona é a circulação, serviços e toda a área de bar, lanchonete e lojas do time. Isso é comum em todos os estádios, mas diferente é o fato de toda essa área ser térrea, o que facilita o acesso e saída dos torcedores além da economia de material e tempo de execução.
Esse detalhe também foi pensado para tornar o estádio totalmente permeável para o caso de receber algum evento maior e que utilize a área do estacionamento.


A torcida do Titans faz a festa no animadíssimo show do intervalo!
A visão do campo é excelente, em compensação o jogo...

A única área que se destaca na estrutura é a fachada oeste onde estão a área administrativa e de camarotes do estádio, os escritórios possuem uma fachada em alumínio perfurado para filtrar a luz solar e amenizar a carga térmica, não consegui maiores informações, mas com um terreno desse tamanho e sem vizinhos é estranho escolherem justamente a pior fachada em termos de insolação para abrigar esse tipo de uso.

A iluminação foi pensada de forma a minimizar o vazamento de luz (como em estádios com torres mais altas que o anel das arquibancadas) para não haja incômodo na vizinhança predominantemente residencial. Toda água utilizada em irrigação, banheiros e limpeza é captada de chuva.

Mesmo com acesso para carros, 80% do público chega ao local utilizando transporte público.
Com média de público de 20.000 pessoas o estádio tornou-se também a “casa” do recém criado time de futebol Gold Coast United.


Área de circulação sob arquibancada
Acesso de pedestre ao estádio

A obra ficou pronta em 2008 e seu custo total foi de 168 milhões de dólares australianos, desse valor 100 milhões é investimento da prefeitura com a intenção de valorizar e atrair investimentos comerciais na região de Robina, que é uma das mais distante dos centros, mas com muito potencial residencial.


A primeira foto é do site do arquiteto e as outras são minhas.