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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Conjunto Residencial em Randwick - Sydney

O terreno deste projeto do escritório Fox Johnston está localizado entre duas casas da virada do séc XIX tombadas pelo patrimônio histórico, entre essas duas casas havia sido adicionada uma construção irregular, que foi demolida e deu lugar a esse conjunto de 12 residências de 3 dormitórios. O projeto faz parte de uma iniciativa do governo para aumentar a densidade dos bairros mais centrais de Sydney mantendo edifícios históricos,  a mesma qualidade de vida e modificando ao mínimo o gabarito de altura, tarefa nada fácil para uma cidade que recebe cerca de 40.000 novos moradores a cada ano.
Para mim o mais interessante do conjunto é a sua implantação, dois edifícios longos com uma passagem de pedestre central que dá acesso individual a cada casa, o arquiteto se refere a essa disposição como um estábulo de cavalos, mas lembra bastante os conceitos urbanísticos do dinamarquês Jan Gehl no que se refere a criar espaços comunitários e passagens públicas menos agressivas, verdes e que privilegie o convívio fora da casa.
O espaço entre os dois blocos permite também melhor insolação, iluminação natural e ventilação cruzada em todas as casas, cada uma ainda tem um pequeno jardim que garante um pouco mais de privacidade ao pavimento térreo que é a área social, convívio e de serviço e ainda tem um quintal no fundo.
No primeiro andar estão os quartos e banheiros, e na cobertura cada casa tem o seu próprio solário, a famosa "laje" pra receber os amigos num agradável churrasco com pagode.


Vista do interior, o primeiro andar tem um recuo formando um terraço interno entre a sala de estar e a cozinha que permite ventilação e luz natural, lá no fundo está o pequeno quintal.
 Abaixo uma das casa restauradas no primeiro plano e o conjunto residencial ao fundo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Baroque Bistro - Sydney

Eu passo sempre na frente desse bistrô e reparava nessa cobertura, deve ser porque sou arquiteto, na verdade as pessoas não parecem dar muita atenção a ela. Ponto pra arquitetura na velha discussão de intervenções modernas em edifícios antigos.
O edifício histórico no The Rocks (já comentei um pouco sobre o bairro nesse post) que foi restaurado fica bem na esquina de uma bifurcação formando uma pequena praça, essa cobertura foi construída para servir de marquise de entrada para o bistrô e abrigo para mesas do lado de fora.
Na verdade eu não consegui descobrir quem fez o projeto da cobertura, a melhor pista que encontrei foi quem fez o projeto de interiores, que é bem legal e segue a mesma linha contrastando novo/antigo deixando o revestimento original e a estrutura aparente. No website do DJE não tem muita explicação sobre o projeto, mas imagino que tenham sido eles que fizeram a área externa também.




Imagino que qualquer tentativa de fazer algo mais "sóbrio" ou tradicional não teria o mesmo efeito e a arquitetura tem que refletir o tempo em que vivemos.

terça-feira, 8 de março de 2011

YHA Sydney



O edifício é bastante simples, mas lugar onde está contruído nem tanto.

O hotel/albergue da YHA fica no bairro chamado “The Rocks” em Sydney, um dos lugares mais turísticos da cidade e famoso pelos excelentes restaurantes. Foi ali que os ingleses se estabeleceram e construíram as primeiras edificações quando chegaram em 1788 e fundaram a colônia que um dia se tornaria a Austrália.
A região é muito visitada porque além de ser totalmente tombada e grande parte restaurada fica estratégicamente entre a Harbour Bridge e a Opera House.

O projeto é do escritório Tzannes Associates e foi realizado sobre um sítio arqueológico, isso determinou a implantação do edifício, que está apoiado por pilares de estrutura metálica e tornam livre para acesso o que sobrou de algumas das primeiras construções australianas. As escavações começaram em 1994 e as pesquisas são ativas, diariamente são encontrados e catalogados muitos artefatos, por isso fez parte do projeto um centro de educação arqueológica, “The Big Dig”.


O edifício é dividido em dois volumes principais conectados por passarelas sobre uma passagem de pedestres existente.Os 106 quartos são organizados ao redor de um átrio central onde está a circulação e que permite ventilação e iluminação natural, as aberturas principais de todos os quartos estão voltadas para as ruas.


Área exposta do sítio arqueológico, centro de exposição à esquerda.



Passagem pública e a ligação entre os dois blocos do edifício


Esquema de implantação



Estrutura que suspende o edifício e torna livre a área de pesquisa



Vista do pátio interno


Com pouco espaço pra um canteiro de obras e até mesmo para fundações, o sistema construtivo usa estrutura metálica e materiais pré-fabricados apenas “montados” no local.
Completam a fachada telas de metal que simulam as fachadas das construções que existiam no local, detalhe que no inicio eu considerei bastante ingênuo, mas que pelo caráter informativo do local, principalmente para turistas acabou me convencendo da utilidade de alguma forma.



Fachada principal com a tela que faz referência às casas antigas

Além da restrição do terreno em si, há as restrições da prefeitura por ser um bairro tombado, que provavelmente determinou a escolha do uso de painel cerâmico nas fachadas como referência aos antigos tijolos e sem dúvida na regularidade tanto de tamanho como na composição das aberturas nos próximos posts vocês vão perceber que os arquitetos aqui tem siricutico pra dar uma entortadinha ou quebrar padrões regulares.

Visto à distância o albergue não se destaca apenas pelo uso de materiais contemporâneos, 
mas também por ser um volume uniforme e mais alto que os vizinhos, provavelmente houve alguma negociação com a prefeitura para se manter 3 pavimentos mesmo saindo do gabarito de altura dos vizinhos. A passagem de pedestres entre as casas antigas preservada permite, além da permeabilidade, que quem passe por lá tome conhecimento de um dos maiores sítios arqueológicos urbanos do hemisfério sul e aprenda a história da cidade.


Edifícios vizinhos tombados


A área total da construída é de 4714m², e conforme informações que pesquisei o custo total da obra foi de 28 milhões de dólares australianos (+ - 42 milhões de reais) e ficou completa em 2009.


O projeto recebeu três prêmios em 2010:

- Property Council of Australia - Innovation & Excelence Awards, Highly Commended Heritage & Adaptive Uses Award.
- Urban Taskforce Award, Development Excellence Award for Tourism Development
- National Trust of Australia (NSW) - Energy Australia Heritage Award - Highly Commended

As fotos são minhas e o esquema construtivo eu peguei no site do arquiteto.