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quinta-feira, 23 de junho de 2011
#1 Bligh St. - Sydney
O edifício 1 Bligh st. é o primeiro projetado usando 100% tecnologia BIM (Building Information Modeling) em Revit na Austrália e foi projetado pelo escritório australiano Architectus em parceria com o escritório alemão Ingenhoven. É o edifício em Sydney que conseguiu a maior pontuação no Green Building Council atingindo 84 pontos, recebendo 6 estrelas no projeto e no as-built e ainda 5 estrelas no sela NABERS australiano.
Segundo os arquitetos, as três diretrizes que guiaram o projeto foram: a vista da baía, o espaço público e o ambiente de trabalho.
O terreno fica numa esquina e de frente para um calçadão que conecta diretamente com o Circular Quay, um cais que dá a volta na enseada entre o bairro The Rocks (onde a primeira colônia se estabeleceu em Sydney) e a Opera House, um dos principais cartões postais da cidade, ponto de encontro turístico e porto principal onde todos as embarcações de transporte público chegam e conectam com o metrô. Com poucas obstruções, a vista para a baía tem que ser explorada ao máximo, pois será determinante não só na qualidade do espaço, mas principalmente no preço do aluguel e retorno do investimento.
A grande maioria dos edifícios em Sydney, e na Austrália em geral, tem acesso restrito apenas a partir dos elevadores, na verdade em muitos é possível entrar e conhecer o prédio inteiro sem que alguém lhe peça qualquer tipo de identificação, isso permite que o pavimento térreo seja permeável e interaja com a cidade, muito parecido com uma das principais características do modernismo brasileiro. É muito comum o térreo ser ocupado por cafés, bares e lojas, mas principalmente é uma extensão da calçada.
Os andares variam de tamanho, atingindo um máximo de 1.600m² e com 92% de área útil. A planta elíptica permite que 40% da área de escritório se localize a no máximo 4,5m da fachada principal e a distância máxima é de 8m entre a fachada e o átrio central, que permite além da ventilação e iluminação natural, que haja contato visual com outros andares.
O investimento total do empreendimento é de AU$ 270 milhões para 42.700m² de área útil alugável.
80% do PVC que seria utilizado foi substituído por outro material não derivado de petróleo, 90% do aço utilizado tem na composição 50% de material reciclado e 90% do entulho produzido no canteiro foi reaproveitado.
Mais detalhes sobre as estratégias de conforto ambiental e conservação de energia do edifício AQUI e AQUI
terça-feira, 14 de junho de 2011
Edifício Pixel - Melbourne
Dia 6 de julho um engenheiro da Umow Lai, empresa de consultoria de conforto ambiental e conservação de energia, vai ao escritório em que trabalho falar sobre a consultoria feita ao projeto do Edifício Pixel em Melbourne.
Ok, o prédio é meio estranhão, mas tá meio que no "estilo contemporâneo" aqui da Austrália, talvez eu ainda não tenha escrito sobre isso mostrado exemplares do tipo, mas principalmente em Melbourne é impressionante a liberdade formal e a variedade e mistura de materiais que usam. Na minha opinião a Austrália ainda está construindo uma identidade arquitetonica misturando sua cultura com uma forte influência da arquitetura européia (que dominam as publicações) e uma variedade de referências asiáticas que aparecem pontualmente em alguns projetos.
Esse edifício conseguiu 6 estrelas no Green Star com 105 pontos (pontuação máxima de 100 mais 5 por inovação), não consegui apurar, mas nenhum edifício na Austrália conseguiu essa pontuação até hoje.
O projeto é do Studio 505, mas iniciativa foi da construtora Grocon que idealizou o edifício como um protótipo de como devem ser construídos os próximos escritórios na Austrália.
O edifício é o primeiro Carbono Neutro da Austrália, ou seja, o edifício produzirá toda a energia que consome e o seu excedente será colocado na rede. É 100% independente da rede de água e usará 100% de ar fresco (o ar aquecido ou resfriado é liberado depois de circular pelo edifício), terá também um sistema automatizado de ventilação noturna para resfriamento do edifício. Os chillers serão a gás e não elétricos, como em tradicionalmente na Austrália, reduzindo muito o consumo de carbono, o uso de amonia como combustível para refrigeração significa nenhum risco de degradar a camada de ozônio.
Captação de energia solar por paineis de células fotovoltáicas fixos e ajustáveis, e uso de uma nova tecnologia em turbinas eólicas pela primeira vez utilizadas na Austrália.
Foi também utilizada uma mistura de concreto desenvolvida pela Grocon que reduz à metade o uso de carbono através da utilização de agregados reaproveitados.
Segundo a construtora, após exaustivos estudos de 3D o edifício atingiu aproveitamento de 100% de luz natural com controle de ofuscamento apenas com o sombreamento dos brises e telas externas, sem a necessidade de cortinas ou persianas.
Mais detalhes AQUI
Estou bastante curioso para esse palestra, conhecer com mais detalhes o projeto desenvolvido e entender as estratégias utilizadas, até porque os dados são bem otimistas, pra não dizer impressionantes!
terça-feira, 31 de maio de 2011
Divisórias em Gesso Curvas
Esse é um detalhe legal de um projeto que estou trabalhando, nós projetamos umas salas bem orgânicas que são uma espécie de referência dentro do edifício, dentro delas tem salas de aula que podem ser expandidas ou divididas conforme a necessidade e do lado de fora as formas curvas quebram a monotonia dos corredores.
Ainda não tenho 3D's, mas é parecido com o que está nessa foto acima que foi construído naquele projeto do ANZ que comentei em outro post, só que bem mais interessante e irregular, quando puder divulgar alguma coisa eu coloco no Blog.
As fotos abaixo é de um protótipo que fizemos para o projeto.
Enfim, como isso é feito?
Primeiro é montada uma estrutura como as de paredes de gesso comum na forma que se deseja, para formas curvas deve-se usar os perfis que são ajustáveis e podem ser dobrados nas curvas desejadas.
O gesseiro vai se ferrar, o cara tem que ser bom e paciente e fazer a marcação considerando a espessura do painel que será fixado, lógico que tudo isso vai estar desenhado, mas não vai ser fácil seguir as referências corretamente. No nosso caso todo o detalhamento será feito com coordenadas de GPS e não cotas, um "pedreiro" (?!) vai ajudar o gesseiro na hora marcando os pontos no local com um GPS, sério, eu pago pra ver isso funcionar! Um colega meu de trabalho foi o BIM Manager no projeto de um outro prédio (um dia vou escrever sobre ele) em que toda a planta é circular, usaram o mínimo de cotas e o máximo de referências com o GPS e funcionou.
Bom, depois de pronto o fixa-se à estrutura um painel que a empresa Flexene produz, uma espécie de isopor bem espesso que é vincado e pode ser dobrado e modificado à vontade. Depois de fixado o painel deve-se aplicar uma camada de revestimento, uma espécie de reboco, que vai ocupar o espaço dos vincos e travar a peça na forma final. Outras camadas podem ser acrescentadas para aumentar a resistência ou até impermeabilizar o painel para o caso de ser um elemento externo.
Já pensou detalhar esses perfis em corte? Se eu puder, quando o projeto avançar vou publicar mais coisas aqui.
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