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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Conjunto Residencial em Randwick - Sydney

O terreno deste projeto do escritório Fox Johnston está localizado entre duas casas da virada do séc XIX tombadas pelo patrimônio histórico, entre essas duas casas havia sido adicionada uma construção irregular, que foi demolida e deu lugar a esse conjunto de 12 residências de 3 dormitórios. O projeto faz parte de uma iniciativa do governo para aumentar a densidade dos bairros mais centrais de Sydney mantendo edifícios históricos,  a mesma qualidade de vida e modificando ao mínimo o gabarito de altura, tarefa nada fácil para uma cidade que recebe cerca de 40.000 novos moradores a cada ano.
Para mim o mais interessante do conjunto é a sua implantação, dois edifícios longos com uma passagem de pedestre central que dá acesso individual a cada casa, o arquiteto se refere a essa disposição como um estábulo de cavalos, mas lembra bastante os conceitos urbanísticos do dinamarquês Jan Gehl no que se refere a criar espaços comunitários e passagens públicas menos agressivas, verdes e que privilegie o convívio fora da casa.
O espaço entre os dois blocos permite também melhor insolação, iluminação natural e ventilação cruzada em todas as casas, cada uma ainda tem um pequeno jardim que garante um pouco mais de privacidade ao pavimento térreo que é a área social, convívio e de serviço e ainda tem um quintal no fundo.
No primeiro andar estão os quartos e banheiros, e na cobertura cada casa tem o seu próprio solário, a famosa "laje" pra receber os amigos num agradável churrasco com pagode.


Vista do interior, o primeiro andar tem um recuo formando um terraço interno entre a sala de estar e a cozinha que permite ventilação e luz natural, lá no fundo está o pequeno quintal.
 Abaixo uma das casa restauradas no primeiro plano e o conjunto residencial ao fundo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Estação do Parque Olímpico - Sydney

A estação de trem foi projetada pela Hassell em 1998 para os Jogos Olímpicos de Sydney em 2000 e estima-se que 80% das pessoas que estiveram nos jogos passaram pela estação. Hoje o Parque Olímpico recebe eventos esportivos, mas principalmente shows e eventos em paralelo semanalmente, a estação tem capacidade de circulação para 50.000 pessoas e em funcionamento permite deslocar 1.600 pessoas a cada 2 minutos.
A área de embarque fica abaixo do nível da rua ao longo de um recorte retangular no terreno. Quem entra na estação tem contato visual com os trens no nível abaixo e escolhe naturalmente o acesso nas áreas onde há menos gente.
O edifício em si é uma cobertura com estrutura metálica em arco modular elevada do chão que como se fosse uma varanda serve de proteção ao sol e a chuva. Por não possuir vedações laterais permite o máximo de ventilação e iluminação natural.

A cobertura em telha de aço é detalhada de forma a utilizar o mínimo de material e o resultado é uma estrutura extremamente fina e seu revestimento interno dá ainda a impressão de ser uma cobertura tensionada muito leve. À noite a iluminação indireta destaca sua forma curva e é como se o forro todo acendesse.
São 7.000m² de área construída que segundo os arquitetos seguem a tradição das estações de trem britânicas de aço e vidro do século XIX e ainda assim com características australianas por sua abertura, claridade e responsabilidade com relação ao clima.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Baroque Bistro - Sydney

Eu passo sempre na frente desse bistrô e reparava nessa cobertura, deve ser porque sou arquiteto, na verdade as pessoas não parecem dar muita atenção a ela. Ponto pra arquitetura na velha discussão de intervenções modernas em edifícios antigos.
O edifício histórico no The Rocks (já comentei um pouco sobre o bairro nesse post) que foi restaurado fica bem na esquina de uma bifurcação formando uma pequena praça, essa cobertura foi construída para servir de marquise de entrada para o bistrô e abrigo para mesas do lado de fora.
Na verdade eu não consegui descobrir quem fez o projeto da cobertura, a melhor pista que encontrei foi quem fez o projeto de interiores, que é bem legal e segue a mesma linha contrastando novo/antigo deixando o revestimento original e a estrutura aparente. No website do DJE não tem muita explicação sobre o projeto, mas imagino que tenham sido eles que fizeram a área externa também.




Imagino que qualquer tentativa de fazer algo mais "sóbrio" ou tradicional não teria o mesmo efeito e a arquitetura tem que refletir o tempo em que vivemos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

American Express & KPMG - Sydney

Na mesma rua do Macquarie Bank ficam outros dois prédios interessantes, o KPMF e o American Express, os dois foram projetados por uma joint venture entre os escritórios COX e Crone Partners.
O KPMF possui 16 andares e 34.000m² construídos. O que acho bem interessante nesse edifício é ter brises protegendo sua fachada de vidro, e mais, brises diferentes em cada fachada!
Em geral todo projeto novo é "5 estrelas" em algum certificado de sustentabilidade e totalmente revestido em vidro, sempre com a história que o vidro é temperado, duplo, com camada de gás etc, etc... Não adianta insistir, persianas e cortinas resolvem o ofuscamento, mas só sombreando o vidro você consegue controlar o ganho térmico e ainda garantir luz natural indireta, só é desejável receber carga térmica diretamente na fachada se o seu revestimento foi projetado para usar esse calor através de inércia térmica, em geral não é o caso.


 Não tem como não perceber que áreas novas e apenas ocupadas por edifícios de escritórios ficam desertas nos fins de semana, eu particularmente acho mais vantajoso para o planejamento de um bairro prever outros usos como hotéis ou apartamentos, todos os restaurantes dessa área estavam fechados ou vazios, e outras áreas da cidade (mais turísticas) com fila nas portas.
 Por outro lado, acho impecável a execução desses edifícios, dá pra perceber como os detalhes são bem trabalhados e, independente do gosto, expressam a intenção do arquiteto.

O American Express é um edifício de 10 andares e 15.000m² construídos.
Por ser mais baixo e estar a sul do KPMG e a Leste do Macquarie Bank, os arquiteto tiraram proveito do sombreamento desses prédios e projetaram brises (ajustáveis) apenas nas partes mais altas a oeste e norte. Um detalhe curioso são as lâminas verticais da fachada leste, a grande fachada de vidro está voltada diretamente para um dos viadutos mais movimentados da cidade e essas laminas foram projetadas para evitar o reflexo da luz do sol na fachada e o consequente ofuscamento que poderia gerar aos motoristas.

Marquise da entrada
 KPMG ao fundo e o detalhe dos brises a partir da altura em que o Macquarie Bank não faz sombra. É legal reparar no alinhamentos dos edifício e os pilotis, a calçada é protegida pelo edifício, mas o pé direito alto favorece a escala do pedestre, se tivesse metade dessa altura a perspectiva seria completamente outra.
 Gosto bastante da cor laranja e o contraste com o vidro escuro, mas achei esse painel do KPMG bem na frente ficou um pouco estranho, os dois edifícios foram projetados pelos mesmos escritórios e em épocas próximas, imagino que poderiam ter trabalhado melhor essa praça como um elemento comum de transição entre os dois prédios.
Como não poderia deixar de ser, uma casa original da região foi preservada como marco da história do local, infelizmente não encontrei mais informações como data, qual o uso atual ou no passado.
Uma área entre os dois edifícios foi mantida como praça de acesso, aqui na Austrália esse tipo de circulação é normatizado é calculado pelo número de pessoas que frequentam o local.

  Detalhe do viaduto e das lâminas que evitam o ofuscamento dos motoristas, elas são bem espassadas, mas desse ponto da pra ter uma ideia como em perspectiva elas quebram a reflexão do fachada.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cockatoo Island - Sydney


A Cockatto Island é a maior ilha da baía de Sydney e já foi uma prisão, reformatório, escola industrial e o principal estaleiro da Austrália no século XX. Em 1992 o estaleiro encerrou suas atividades e hoje a ilha é um patrimônio histórico tombado pela UNESCO, desde então a área tem sido preservada e recebido intervenções pontuais para receber outros usos.
Os grandes galpões hoje abrigam shows, festivais e eventos, é um lugar muito interessante por estar muito próximo da cidade e isolado por ser uma ilha, já possui enormes áreas cobertas e outras tantas abertas onde podem ser montadas estruturas provisórias.
Poucos edifícios receberam intervenções e os guindastes, docas e grandes estruturas foram mantidas como se fossem grandes esculturas que remontam o passado da ilha. Muito pouco foi construído, apenas algumas coberturas de apoio, quiosques e banheiros.


Muitos eventos terminam tarde e a ilha não possui hotéis, e provavelmente nem teria demanda pra tanto, por isso há uma área de camping com barracas prontas para receber hóspedes e o projeto dos banheiros que servem o camping é do escritório Fox Johnston. Um projeto muito simples e que me chamou a atenção pela qualidade dos detalhes e uso dos materiais, algo que seria uma "casinha" banal, daquelas que ficam sempre com o chão úmido e que a pessoa entra na ponta dos pés (ainda mais num camping) pode ser algo mais convidativo e uma oportunidade pra se fazer boa arquitetura.




Até o meu amigo mergulhador usou e aprovou!

domingo, 3 de julho de 2011

Edifícios Residenciais - Sydney

Sydney tem um déficit habitacional muito grande, mas devido à legislação da cidade que é bastante restritiva. Isso é bom no sentido em que os edifícios históricos são preservados e que com exceção do centro da cidade o gabarito de altura é bastante baixo, permitindo ótima qualidade em  termos de insolação e ventilação nas residências.
O lado negativo é que as pessoas acabam indo morar fora da cidade, consequentemente gerando um crescimento radial da cidade difícil de ser acompanhado pelo transporte público, que por mais que seja de muito boa qualidade, está abaixo da expectativa da população. É muito complicado encontrar terrenos na cidade em que se possa construir prédios
Outro problema gerado é a supervalorização dos imóveis próximos à cidade, a demanda é muito grande e os apartamentos cada vez menores, isso "expulsa" principalmente as pessoas dos bairros tradicionais ou próximos do centro para morar em casas maiores em subúrbios distantes. Por incrível que pareça, isso criou uma situação inusitada, é muito comum ver resultados de pesquisas mostrando que a Austrália tem em média as maiores residências do mundo em área.
Um dos maiores desafios urbanísticos da cidade é aumentar sua densidade habitacional mantendo a mesma qualidade de vida ao mesmo tempo que tenta melhorar a rede de transporte público e promover novas áreas comerciais próximas aos bairros distantes.

Escolhi dois edifícios residenciais e um edifício de moradia estudantil par usar como exemplo de como são os projetos por aqui.

Maroubra Apartments - Fox Johnston
Edifício de 8 andares com 30 apartamentos de tipos variados, desde kitinietes a duplex de dois quartos.







Banksnton Centre Apartaments - Hill Thalis Architecture
Edifício com 60 apartamentos de tipos variados (kitinetes, 1, 2 e 3 dormitórios) e 2 espaços comerciais.






Univesity of New South Wales Village - Architectus
Edifício com 240 unidades de apartamentos e um total de 1021 quartos, além de áreas de convívio e infra-estrutura.