Mostrando postagens com marcador Austrália. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Austrália. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de março de 2012

MCA Museum of Contemporary Arts - Sydney

Está praticamente pronto o anexo ao Museu de Arte Contemporânea de Sydney, um projeto bastante polêmico entre os arquitetos, ninguém sabe ao certo o que acha dele... Na verdade a discussão toda é sobre a "agressividade" do edifício em relação ao Museu existente e a sua relação com o entorno.
O projeto é uma espécie de viagem cubista do arquiteto Sam Marshall que venceu o concurso, o edifício é uma composição de formas retangulares de tamanhos e materiais diferentes que (vou falar que nem "revista projeto", ok?) negam o entorno mas dialoga com o edifício antigo através da... bom, não sei. E acho que é isso que tem incomodado um pouco os arquitetos em geral, e desde que foi anunciado o projeto como vencedor. O edifício é bem legal e interessante, se tivesse sido construído em Melbourne ninguém ia nem reparar, mas em Sydney (que tem um perfil um pouco mais careta) ainda gera um pouco de polêmica entre nós, vamos ver quando for oficialmente aberto.
O Museu fica no Circular Quay, na margem oposta à Opera House, próximo ao terminal dos navios de cruzeiro, será sem dúvida um novo cartão postal.
A construção começou em agosto de 2010 e eu comecei a trabalhar na Hassell, que fica duas quadras atrás, em outubro no mesmo ano, dá pra dizer que acompanhei a obra diariamente desde o início, inclusive com uma visita guiada em setembro de 2011 (vou colocar umas fotos disso depois). Gostei bastante do projeto, a viagem cubista continua por dentro com um forro de gesso dividido em cubos de todos os tamanhos e níveis diferentes com iluminação embutida... dava pra ver muito da estrutura ainda exposta no formato dos cubos e sem placas de gesso, tudo irregular, o gesseiro deve estar atrás do desgraçado que fez o projeto até agora, não deve ter sido fácil montar aquilo! O prédio tem poucas aberturas, que quando acontecem são estratégicas para a paisagem externa, funcionará como um descanso para quem visita o museu, uma das intenções é atrair turistas, portanto mesmo dentro do museu ele tem que lembrar que está próximo à Harbour Bridge ou da Opera House.
Uma das coisas que atraiam a nossa curiosidade eram os painéis GRC usados na fachada, a gente acompanhou a chegada dos painéis prontos e sua colocação, na época comentaram que o projeto teria os maiores painéis do mundo, mas nunca mais ouvi nada a respeito.

Achei impressionante a qualidade do serviço executado e a organização com que tudo foi feito, ainda mais se tratando de um dos lugares mais visitados de Sydney e que recebe eventos de rua diariamente, o dia a dia de quem frequenta, trabalha ou depende comercialmente da região não foi afetado.
Fachada de trás do novo edifício que cobre o Museu antigo, essa fachada eu achei bastante pesada, por mais legal que seja o GRC fica muito chapado, acho que poderia ser mais fragmentada e sutil a transição entre os edifícios.
Acima uma perspectiva do projeto para o concurso.
Abaixo uma foto do Museu originalmente.
Um amigo meu comentou "que pena, não tirei uma foto de quando o prédio era legal". Acho um pouco de exagero também, ainda mais se tratando de um Museu com a proposta de apresentar arte contemporânea, concordo que a relação entre os edifícios é um pouco agressiva demais, mas cada vez que passo na frente da parte nova e um novo detalhe é revelado vou me acostumando com a ideia e acho o projeto mais interessante.
O detalhe interessante de sustentabilidade é que foram construídas tubulações para aproveitar a água fria da baía no sistema de ar condicionado do edifício.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Conjunto Residencial em Randwick - Sydney

O terreno deste projeto do escritório Fox Johnston está localizado entre duas casas da virada do séc XIX tombadas pelo patrimônio histórico, entre essas duas casas havia sido adicionada uma construção irregular, que foi demolida e deu lugar a esse conjunto de 12 residências de 3 dormitórios. O projeto faz parte de uma iniciativa do governo para aumentar a densidade dos bairros mais centrais de Sydney mantendo edifícios históricos,  a mesma qualidade de vida e modificando ao mínimo o gabarito de altura, tarefa nada fácil para uma cidade que recebe cerca de 40.000 novos moradores a cada ano.
Para mim o mais interessante do conjunto é a sua implantação, dois edifícios longos com uma passagem de pedestre central que dá acesso individual a cada casa, o arquiteto se refere a essa disposição como um estábulo de cavalos, mas lembra bastante os conceitos urbanísticos do dinamarquês Jan Gehl no que se refere a criar espaços comunitários e passagens públicas menos agressivas, verdes e que privilegie o convívio fora da casa.
O espaço entre os dois blocos permite também melhor insolação, iluminação natural e ventilação cruzada em todas as casas, cada uma ainda tem um pequeno jardim que garante um pouco mais de privacidade ao pavimento térreo que é a área social, convívio e de serviço e ainda tem um quintal no fundo.
No primeiro andar estão os quartos e banheiros, e na cobertura cada casa tem o seu próprio solário, a famosa "laje" pra receber os amigos num agradável churrasco com pagode.


Vista do interior, o primeiro andar tem um recuo formando um terraço interno entre a sala de estar e a cozinha que permite ventilação e luz natural, lá no fundo está o pequeno quintal.
 Abaixo uma das casa restauradas no primeiro plano e o conjunto residencial ao fundo.

sábado, 8 de outubro de 2011

Design de Móveis - Jon Goulder

Uma colega de trabalho estava pesquisando mobiliários para um projeto e passou pelo site do designer australiano Jon Gouder, eu sinceramente conheço pouco sobre móveis australianos mas achei o trabalho dele bastante interessante.
Posso estar exagerando um pouco, mas essa cadeira me lembra bastante os mobiliários brasileiros dos anos 50 com a estrutura em madeira bastante elegante e escultural com o estofado colorido.


Essa escrivaninha também é bastante interessante, um móvel que caiu em desuso com a "invasão" dos computadores às casas e que passa a fazer sentido novamente com o próprio desenvolvimento tecnológico dos computadores pessoais, cada vez menores.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Residência em Phillip Island

A residência projetada por Barry Marshall do escritório Denton Corker Marshall para sua família em 1997 na verdade não lembra nada uma casa, mas sim, conforme o discurso do arquiteto, "um abrigo anti-aéreo". É também uma das edificações que mais se mistura com a paisagem de que tenho conhecimento, dificilmente ela pode ser identificada a não ser pela sua fachada principal ou pelo alto, e curiosamente construída bem antes do atual modismo de coberturas verde.

A planta da casa é uma tira voltada para o patio central, que entre os morros está protegido do vento (no litoral da Austrália em geral venta demais, principalmente no sul, onde o clima é frio e o vento mais ainda!), mas o que eu acho interessante é que a casa tem tanto a privacidade do patio como as vistas privilegiadas para a paisagem natural da ilha.

Esse quarto me lembra bastante o brutalismo paulista dos anos 60, mas a planta e a relação do concreto com a paisagem natural, sem projetos de paisagismo prepotentes com coqueiros e afins, me lembra mais alguma dessas casas de praia construídas no Guarujá ou litoral norte de São Paulo nos anos 70, basta trocar o piso de granito por uma cerâmica vermelha (não seria uma má ideia nesse caso) e móveis em alvenaria (esse detalhe eu dispensaria).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Contour House - Berry Mountain NSW

Peter Stutchbury é um dos principais arquitetos da Austrália. Em seus projetos busca expressar a importância do edifício se relacionar com o local onde é construído, interferindo minimamente na paisagem, utilizando ventilação natural e a luz do sol racionalmente.

O uso dos materiais e a simplicidade construtiva é uma característica australiana que Peter valoriza em seus edifícios, na maioria residenciais que o tornara famoso, mas a verdade é que o arquiteto é extremamente versátil e a maior prova disso são os 39 projetos premiados pelo Instituto de Arquitetos da Austrália desde 1995, sendo que em 2003 ele foi o primeiro arquiteto a receber o prêmio nacional de melhor residência e obra pública, repetindo o feito em 2005.
O arquiteto australiano mais famoso no mundo e provavelmente o mais conhecido no Brasil é o Glenn Murcutt, e se observarmos a preocupação com a sustentabilidade, uso de elementos naturais e métodos construtivos é muito semelhante entre os dois arquitetos que são amigos e parceiros na OZTechture, junto com Richard Leplatrier, Brit Andresen, Ian Athfield e Lindsay Johnston, uma fundação que tem como intenção passar a diante o conhecimento, as preocupações com meio ambiente e sustentabilidade que caracterizam a obra desses arquitetos


quinta-feira, 30 de junho de 2011

AAMI Park - Melbourne


No centro da cidade de Melbourne esta localizado o Parque Olímpico, onde havia um estádio de Críquete e em 1956 começou a se expandir com as arenas para as Olimpíadas de 1956, ao longo dos anos mais equipamentos foram adicionados, entre eles a famosa Rod Laver Arena ondo acontece todo ano o Aberto da Austrália de Tênis.


Com o aumento da popularidade do futebol e a criação de um novo time de Rugbi, o governo decidiu investir num estádio que pudesse receber jogos dos dois esportes e eventos internacionais, assim surgiu a ideia do Rectangular Stadium, nome dado inicialmente ao projeto pelo formato "diferente" do campo.
Diferente porque para todo o sul da Austrália "futebol" é na verdade o Aussie Rules ou Futebol Australiano, que é jogado num campo oval e muito maior, e que por esse motivo possui seus próprios estádios.
O Futebol Australiano é muito mais popular que o nosso futebol e Melbourne é a capital do esporte na Austrália, na verdade foi lá que o esporte nasceu e onde os primeiros campeonatos foram disputados, isso é importante para entender porque o estádio tem apenas 30.000 lugares e será a casa de três times de dois esportes diferentes.




Após a construção uma empresa comprou os direitos o estádio mudou de nome para AAMI Park.
O projeto foir ealizado pelo COX Architects, ums dos mais tradicionais escritorios da Asutralia, o arquiteto Philip Cox é um dos pioneiros em arquitetura esportiva do país, é um dos autores da Rod Laver Arena e entre outros projetos seu escritório projetou a maioria dos estádios das Olimpíadas de 2000 em Sydney.




Apesar de esteticamente ser completamente diferente do Skilled Stadium, eh possivel perceber que as tecnicas e simplicidade construtiva sao praticamente as mesmas, estruturas para a arquibancada e uma cobertura em estrutura metalica. Por mais que a cobertura seja rigida e plasticamente mais complexa, ela é totalmente modular, uma repeticao das mesmas pecas e dois tipos de paineis para vedacao, um opaco outro translucido. A cobertura ainda tem fixada milhares de LED's que podem ser programados e criar efeitos e cores diversas a noite, mas o mais interessante é a leveza da estrutura que cumpre seu papel com muita elegância e inteligência, não há um pilar sequer nas arquibancadas e o resultado estético é sensacional, na minha opinião é muito mais bonito que muitos estádios mais badalados, caros e que foram construídos em países com mais tradição no futebol.

Além da excelente localização e proximidade ao transporte público, o estádio possui estratégias comuns na maioria dos projetos que apresentei no blog até agora e em quase todos os que tenho conhecimento, como reservatório de água de chuva, reaproveitamento da água nos banheiros, iluminação de baixa potência e automação para controle do consumo, aproveitamento de ventilação e iluminação natural, materiais reciclados e reaproveitados no próprio canteiro, etc.





O estádio ainda abriga escritório para administração dos clubes, departamento médico, 800 m² de infra-estrutura para condicionamento físico e reabilitação incluindo ginásio, academia e piscina. 24 espaços para locação durante os jogos, 14 lanchonetes e 14 bares, salão para jantar e eventos com capacidade para 1000 pessoas, bar/lanchonete e loja dos times com acesso fora do estádio e capacidade para 30.000 torcedores.

O custo total foi de AU$ 270 milhões, aproximadamente R$ 450 milhões, em tempos de Copa do Mundo no Brasil e estádios de R$ 1 bilhão,  é algo para se pensar.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

ANZ Centre & Myer Office Melbourne


James Grose e Ken Mahr

Semana passada fui num debate que a revista IN Design realizou com arquitetos diretores de dois dos principais escritórios de arquitetura aqui da Austrália, James Grose do BVN e Ken Mahr do Hassell, com a intenção de apresentar dois projetos vizinhos em Melbourne numa área onde recentemente realizaram uma espécia de operação urbanda chamada Docklands.

ANZ BAnk

Entre outros prêmios, o projeto ganhou como melhor projeto de arquitetura de interiores no World Architecture Festival Awards em 2010

Ken apresentou o projeto para o ANZ Bank, que foi premiado Gold Medalist 2010 pelo RAIA (Royal Institute of Architects of Australia), e falou sobre a importancia de se criar edifícios permeáveis que se integram à cidade, com áreas comuns para os empregados, contato com a área externa e iluminação natural e da complexidade de se projetar um grande edifício corporativo com as limitações ubanisticas, sociais, de segurança e as questões ambientais. A apresentação parecia bastante resolvida, com croquis q não me pareciam ter sido feitos antes do desenvolvimento de muitas etapas do projeto, mas que explicavam claramente os objetivos e as relações propostas.
O projeto utiliza sistema de trigeração de energia e ainda capta energia através de células fotovoltáicas turbinas de vento, essa última mais como uma questão experimental do que de viabilidade. Toda água de uso interno é captada ou reutilizada. As fachadas são todas em vidro duplo como TODOS os prédios por aqui... o conceito é isolar o ambiente interno e aquecer ou resfriar conforme a época do ano com o mínimo de perda/ganho térmico. Por tudo isso recebeu selo verde 6 estrelas e é considerado um dos edifícios mais “sustentáveis” da Austrália.

A idéia original da fachada era que fosse toda branca e fosse elegante "como uma caixa de Chanel N°5"

Interior do Myer

James Grose apresentou o projeto para a Myer uma espécie de Mappin aqui da Austrália, e desenvolveu principalmente sobre a relação entre a intenção do arquiteto e a espectativa do cliente em relação ao projeto, mostrou uma série de estudos e todo o processo entre as diversas propostas desenvolvidas. Era nítido que ele não estava satisfeito com o resultado final, mas mesmo assim foi muito interessante ver e ouvir como as idéias eram aceitas, recusadas, negociadas e até cortadas na hora da execução, como no caso do vidro que seria usado na fachada, ele receberia um tratamento para ficar branco sob a luz do Sol, mas para cortar gastos foi substituído por outro, e assim acabou com o efeito de “cubo branco” que era o conceito original. O interessante na história era como o cliente, bastante conservador, esperava um projeto com uma “identificação à marca” tão literal que ficaria contente se tivesse a forma de uma letra “M”.
A todo instante James fazia piadas ou comentários comparando seu prédio ao ANZ, como quando criticava uma foto da fachada dizendo “mas olha lá como a fachada ficou ótima, mostra no reflexo um grande edifício de verdade”. Estava claro que ele estava incomodado de comparar seu projeto “mais ou menos” com um dos prédios mais premiados em 2010, sendo que um dos principais projetos da BVN, o NAB que já foi o mais premiado alguns anos antes, fica praticamente no mesmo quarteirão que os apresentados.

Ambiente agradável, gente muito simpática e cervejinha na faixa

O debate ainda seguiu com perguntas da platéia e mais alfinetadas de James em Ken, principalmente se referindo ao projeto do Barangaroo, um mega projeto polêmico que será tema de um post qualquer dia desses. Deu pra sacar que a concorrência alí é acirrada, a única coisa que concordaram durante o debate é que a maneira como os difícios são avaliados e recebem as pontuações para receber o selo verde é falho e fica ultrapassada a cada ano que passa, mas que curiosamente muitos clientes tem interesse de desenvolver projetos com melhor aproveitamento de energia e água independente da certificação.