Mostrando postagens com marcador concreto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador concreto. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ormiston Activity Centre - Nova Zelândia

 
E se ao invés de proibir a prefeitura não constrói um lugar adequado para se andar de skate?
Esse projeto do escritório neo-zelandês ArchOffice em Auckland é um exemplo de equipamento público simples, barato e de bom gosto que cria um espaço de lazer bastante escasso nas cidades, na verdade problemático, pois muita gente não gosta de skatistas andando em praças ou fazendo manobras em bancos ou muretas, mas se não há outra alternativa, onde praticar o esporte?
Em São Paulo eu sei da rua onde fica uma praça em que os moradores literalmente cortaram faixas no asfalto liso e perfeito para se andar de skate e colocaram paralelepípedos para ninguém andar... Ora, como diria "nosso amigo" Bjarne Ingels "Yes is more!" Ao invés de excluir, porque não criar espaços adequados? Não há lojas de skate? Uma indústria que gera empregos? O skate (patinetes, patins e afins...) também não é uma alternativa de transporte limpa e que complementa o uso de outros meios de transporte públicos? Então porque não incentivar o seu uso com lugares adequados e seguros?
Praças devem ser pontos de encontro, e se oferecem a possibilidade de atividades ou praticas de esporte ou cultura são equipamentos que ajudam a criar um melhor senso de cidadania e de comunidade.  Esse bairro de Auckland ainda é novo, mas há a projeção de uma população de 40.000 pessoas até 2020, por isso a prefeitura já planeja o desenvolvimento da região, que hoje é pouco servida por transporte público, o que significa que muita gente que mora lá passará a maior parte de tempo no próprio bairro.
O edifício de 194m² possui espaço para aulas, atividades e encontros comunitários para 80 pessoas, um pequeno escritório de apoio com copa/cozinha e banheiro público.
A construção não foge do convencional e utiliza materiais de manutenção simples e duráveis, como concreto e blocos de concreto aparente e estrutura metálica.
O contraste entre o concreto duro e pesado e a estrutura metálica leve e colorida é o que torna um potencial caixote num edifício bastante interessante.



Fotos: Simon Devitt

terça-feira, 13 de março de 2012

MCA Museum of Contemporary Arts - Sydney

Está praticamente pronto o anexo ao Museu de Arte Contemporânea de Sydney, um projeto bastante polêmico entre os arquitetos, ninguém sabe ao certo o que acha dele... Na verdade a discussão toda é sobre a "agressividade" do edifício em relação ao Museu existente e a sua relação com o entorno.
O projeto é uma espécie de viagem cubista do arquiteto Sam Marshall que venceu o concurso, o edifício é uma composição de formas retangulares de tamanhos e materiais diferentes que (vou falar que nem "revista projeto", ok?) negam o entorno mas dialoga com o edifício antigo através da... bom, não sei. E acho que é isso que tem incomodado um pouco os arquitetos em geral, e desde que foi anunciado o projeto como vencedor. O edifício é bem legal e interessante, se tivesse sido construído em Melbourne ninguém ia nem reparar, mas em Sydney (que tem um perfil um pouco mais careta) ainda gera um pouco de polêmica entre nós, vamos ver quando for oficialmente aberto.
O Museu fica no Circular Quay, na margem oposta à Opera House, próximo ao terminal dos navios de cruzeiro, será sem dúvida um novo cartão postal.
A construção começou em agosto de 2010 e eu comecei a trabalhar na Hassell, que fica duas quadras atrás, em outubro no mesmo ano, dá pra dizer que acompanhei a obra diariamente desde o início, inclusive com uma visita guiada em setembro de 2011 (vou colocar umas fotos disso depois). Gostei bastante do projeto, a viagem cubista continua por dentro com um forro de gesso dividido em cubos de todos os tamanhos e níveis diferentes com iluminação embutida... dava pra ver muito da estrutura ainda exposta no formato dos cubos e sem placas de gesso, tudo irregular, o gesseiro deve estar atrás do desgraçado que fez o projeto até agora, não deve ter sido fácil montar aquilo! O prédio tem poucas aberturas, que quando acontecem são estratégicas para a paisagem externa, funcionará como um descanso para quem visita o museu, uma das intenções é atrair turistas, portanto mesmo dentro do museu ele tem que lembrar que está próximo à Harbour Bridge ou da Opera House.
Uma das coisas que atraiam a nossa curiosidade eram os painéis GRC usados na fachada, a gente acompanhou a chegada dos painéis prontos e sua colocação, na época comentaram que o projeto teria os maiores painéis do mundo, mas nunca mais ouvi nada a respeito.

Achei impressionante a qualidade do serviço executado e a organização com que tudo foi feito, ainda mais se tratando de um dos lugares mais visitados de Sydney e que recebe eventos de rua diariamente, o dia a dia de quem frequenta, trabalha ou depende comercialmente da região não foi afetado.
Fachada de trás do novo edifício que cobre o Museu antigo, essa fachada eu achei bastante pesada, por mais legal que seja o GRC fica muito chapado, acho que poderia ser mais fragmentada e sutil a transição entre os edifícios.
Acima uma perspectiva do projeto para o concurso.
Abaixo uma foto do Museu originalmente.
Um amigo meu comentou "que pena, não tirei uma foto de quando o prédio era legal". Acho um pouco de exagero também, ainda mais se tratando de um Museu com a proposta de apresentar arte contemporânea, concordo que a relação entre os edifícios é um pouco agressiva demais, mas cada vez que passo na frente da parte nova e um novo detalhe é revelado vou me acostumando com a ideia e acho o projeto mais interessante.
O detalhe interessante de sustentabilidade é que foram construídas tubulações para aproveitar a água fria da baía no sistema de ar condicionado do edifício.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Residência em Phillip Island

A residência projetada por Barry Marshall do escritório Denton Corker Marshall para sua família em 1997 na verdade não lembra nada uma casa, mas sim, conforme o discurso do arquiteto, "um abrigo anti-aéreo". É também uma das edificações que mais se mistura com a paisagem de que tenho conhecimento, dificilmente ela pode ser identificada a não ser pela sua fachada principal ou pelo alto, e curiosamente construída bem antes do atual modismo de coberturas verde.

A planta da casa é uma tira voltada para o patio central, que entre os morros está protegido do vento (no litoral da Austrália em geral venta demais, principalmente no sul, onde o clima é frio e o vento mais ainda!), mas o que eu acho interessante é que a casa tem tanto a privacidade do patio como as vistas privilegiadas para a paisagem natural da ilha.

Esse quarto me lembra bastante o brutalismo paulista dos anos 60, mas a planta e a relação do concreto com a paisagem natural, sem projetos de paisagismo prepotentes com coqueiros e afins, me lembra mais alguma dessas casas de praia construídas no Guarujá ou litoral norte de São Paulo nos anos 70, basta trocar o piso de granito por uma cerâmica vermelha (não seria uma má ideia nesse caso) e móveis em alvenaria (esse detalhe eu dispensaria).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ponto de Ônibus - Jenolan Caves

 Jenolan Caves tem muito mais coisas interessantes do que um ponto de ônibus, na verdade ele passa despercebido, mas eu não pude deixar de reparar nele, pois as únicas construções ali são remanescentes do séc. 19, algo em torno de 1870.
O legal é que a cobertura é muito bem projetada e não interfere na paisagem, é o tipo da coisa que se esperaria alguém "imitar" a arquitetura histórica pra fingir que é algo antigo. Pelo contrário, como nos banheiros que postei da Cockatoo Islando arquiteto aproveitou a oportunidade de fazer uma simples cobertura e criou algo muito interessantes.
 Os pilares pelo que eu entendi são um misto de estrutura metálica e concreto, com o pilar metálico no meio travado por duas peças de concreto, deve ser assim pra dar estabilidade e travamento ao conjunto.


Tanto cuidado no detalhamento e na execução, mas eles poderiam pelo menos fazer uma captação de água mais compatível com o projeto...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Novo Campus UTS - Sydney


Faz parte do programa de educação continuada para todos arquitetos registrados participem de palestras, visitas a obras, cursos de fornecedores de materiais e eventos que contam pontos. Por causa disso toda semana algo acontece na cidade e mesmo quem não é registrado mas quer se manter atualizado (meu caso) participa dos eventos.
No último dia 07/07 participei de uma visita guiada às obras da reforma do campus da University of Technology of Sydney. A UTS, como comentei no post do projeto do Frank Gehry, tem um plano em execução de investir AU$ 1 bilhão em 10 anos para modernizar seu campos, os projetos que fui visitar fazem parte desse mesmo plano diretor.

Primeiro visitamos as obras para o Salão de Eventos da Universidade, projeto do escritório DRAW.


A proposta para o salão busca trazer luz natural para dentro do espaço existente e criar contato com o espaço externo com a abertura de um balcão para o gramado do campus. Para tornar mais interessante a geometria regular do estrutura de pré-moldado existente, a mesma que existe no resto do edifício, o arquiteto propõe um elemento único que reveste as paredes e o forro como uma "manta", segundo ele "o edifício da faculdade é definido pela repetição de elementos de produção em massa e que a nova proposta celebra o avanço tecnológico da customização em massa e a riqueza da experiencia que vem com esse avanço".
Cada painel, apesar de ser formado por peças triangulares que se repetem, possui perfurações diferentes. Os painéis foram modelados utilizando o plug-in Grasshoper no Rhino e depois digitalizados num software especializado de manufatura para que sejam impressos individualmente, havia um protótipo no salão e a qualidade do acabamento é impressionante, esse tipo de detalhe só é possível ser feito dessa forma, ou alguém aí se dispõe a cotar e detalhar dezenas de painéis únicos sujeitos a revisão e imprecisão?
A forma do painel tem função de difusão e as variações de perfuração, além de estética, funcionam como absorção no tratamento acústico do ambiente.



O outro projeto que visitei já estava executado, é a Quadra de Esportes Multi-Uso, projeto do escritório PTW.

A obra consistiu literalmente numa escavação para a construção da quadra e salas multi-uso, evitando que a construção de um edifício ocupasse área livre valiosa no campus, mas criando um novo gramado sobre sua cobertura.
Durante a escavação, os arquitetos tiraram proveito das rochas existentes e as mantiveram expostas na periferia da quadra, um detalhe muito inteligente que junto com a enorme estrutura exposta dá identidade ao ambiente. A estrutura escultural lembra bastante a expressão do modernismo brasileiro, a habilidade da solução técnica resolve a arquitetura.
É interessante observar que um ambiente desse tipo em geral sofre acusticamente pelo grande volume e quantidade de superfícies reflexivas, porém, os painéis colocados sobre as paredes de bloco e da rocha exposta trouxeram muito equilíbrio à sala, o arquiteto explicou o projeto inteiro no meio da quadra e era possível compreender muito bem o que dizia, essa não é uma solução barata, mas cujo benefício sem dúvida compensa o investimento.
Outro detalhe legal é o taco usado para o piso da quadra, feito de bambu.






quinta-feira, 23 de junho de 2011

#1 Bligh St. - Sydney



O edifício 1 Bligh st. é o primeiro projetado usando 100% tecnologia BIM (Building Information Modeling) em Revit na Austrália e foi projetado pelo escritório australiano Architectus em parceria com o escritório alemão Ingenhoven. É o edifício em Sydney que conseguiu a maior pontuação no Green Building Council atingindo 84 pontos, recebendo 6 estrelas no projeto e no as-built e ainda 5 estrelas no sela NABERS australiano.
Segundo os arquitetos, as três diretrizes que guiaram o projeto foram: a vista da baía, o espaço público e o ambiente de trabalho.
O terreno fica numa esquina e de frente para um calçadão que conecta diretamente com o Circular Quay, um cais que dá a volta na enseada entre o bairro The Rocks (onde a primeira colônia se estabeleceu em Sydney) e a Opera House, um dos principais cartões postais da cidade, ponto de encontro turístico e porto principal onde todos as embarcações de transporte público chegam e conectam com o metrô. Com poucas obstruções, a vista para a baía tem que ser explorada ao máximo, pois será determinante não só na qualidade do espaço, mas principalmente no preço do aluguel e retorno do investimento.


A grande maioria dos edifícios em Sydney, e na Austrália em geral, tem acesso restrito apenas a partir dos elevadores, na verdade em muitos é possível entrar e conhecer o prédio inteiro sem que alguém lhe peça qualquer tipo de identificação, isso permite que o pavimento térreo seja permeável e interaja com a cidade, muito parecido com uma das principais características do modernismo brasileiro. É muito comum o térreo ser ocupado por cafés, bares e lojas, mas principalmente é uma extensão da calçada.


Os andares variam de tamanho, atingindo um máximo de 1.600m² e com 92% de área útil. A planta elíptica permite que 40% da área de escritório se localize a no máximo 4,5m da fachada principal e a distância máxima é de 8m entre a fachada e o átrio central, que permite além da ventilação e iluminação natural, que haja contato visual com outros andares.

O investimento total do empreendimento é de AU$ 270 milhões para 42.700m² de área útil alugável.
80% do PVC que seria utilizado foi substituído por outro material não derivado de petróleo, 90% do aço utilizado tem na composição 50% de material reciclado e 90% do entulho produzido no canteiro foi reaproveitado.
Mais detalhes sobre as estratégias de conforto ambiental e conservação de energia do edifício AQUI e AQUI