domingo, 3 de julho de 2011

Edifícios Residenciais - Sydney

Sydney tem um déficit habitacional muito grande, mas devido à legislação da cidade que é bastante restritiva. Isso é bom no sentido em que os edifícios históricos são preservados e que com exceção do centro da cidade o gabarito de altura é bastante baixo, permitindo ótima qualidade em  termos de insolação e ventilação nas residências.
O lado negativo é que as pessoas acabam indo morar fora da cidade, consequentemente gerando um crescimento radial da cidade difícil de ser acompanhado pelo transporte público, que por mais que seja de muito boa qualidade, está abaixo da expectativa da população. É muito complicado encontrar terrenos na cidade em que se possa construir prédios
Outro problema gerado é a supervalorização dos imóveis próximos à cidade, a demanda é muito grande e os apartamentos cada vez menores, isso "expulsa" principalmente as pessoas dos bairros tradicionais ou próximos do centro para morar em casas maiores em subúrbios distantes. Por incrível que pareça, isso criou uma situação inusitada, é muito comum ver resultados de pesquisas mostrando que a Austrália tem em média as maiores residências do mundo em área.
Um dos maiores desafios urbanísticos da cidade é aumentar sua densidade habitacional mantendo a mesma qualidade de vida ao mesmo tempo que tenta melhorar a rede de transporte público e promover novas áreas comerciais próximas aos bairros distantes.

Escolhi dois edifícios residenciais e um edifício de moradia estudantil par usar como exemplo de como são os projetos por aqui.

Maroubra Apartments - Fox Johnston
Edifício de 8 andares com 30 apartamentos de tipos variados, desde kitinietes a duplex de dois quartos.







Banksnton Centre Apartaments - Hill Thalis Architecture
Edifício com 60 apartamentos de tipos variados (kitinetes, 1, 2 e 3 dormitórios) e 2 espaços comerciais.






Univesity of New South Wales Village - Architectus
Edifício com 240 unidades de apartamentos e um total de 1021 quartos, além de áreas de convívio e infra-estrutura.

  

sábado, 2 de julho de 2011

Vivid Festival - Sydney


Em maio aconteceu Sydney o Vivid, um festival de luz onde diversas instalações são montadas na região do Circular Quay. A rigor qualquer pessoa pode participar, basta ter a ideia e apresentar o projeto com um orçamento para os organizadores como se fosse um concurso, os melhores projetos são escolhidos e a prefeitura paga o valor, o que sobrar fica como "bonificação". Lógico que arquitetos, designers e artistas levam alguma vantagem por conhecerem melhor esse universo, mas tem coisas trabalhos de todos os níveis.



O legal é a iniciativa de um evento diário por algumas semanas ao ar livre no final do outono! Como a cidade anoitece mais cedo nessa época, às 7 da noite as luzes se acendem e as ruas se enchem de pessoas que vivem na cidade, mas atraindo principalmente turistas.






A organização ainda complementa os trabalhos contratando artistas especializados para projetos maiores, como um show de luzes na Opera House (feito pelos franceses SUPERBIEN) e um de projeção na Customs House (feito pelos australianos The Electric Canvas).





quinta-feira, 30 de junho de 2011

AAMI Park - Melbourne


No centro da cidade de Melbourne esta localizado o Parque Olímpico, onde havia um estádio de Críquete e em 1956 começou a se expandir com as arenas para as Olimpíadas de 1956, ao longo dos anos mais equipamentos foram adicionados, entre eles a famosa Rod Laver Arena ondo acontece todo ano o Aberto da Austrália de Tênis.


Com o aumento da popularidade do futebol e a criação de um novo time de Rugbi, o governo decidiu investir num estádio que pudesse receber jogos dos dois esportes e eventos internacionais, assim surgiu a ideia do Rectangular Stadium, nome dado inicialmente ao projeto pelo formato "diferente" do campo.
Diferente porque para todo o sul da Austrália "futebol" é na verdade o Aussie Rules ou Futebol Australiano, que é jogado num campo oval e muito maior, e que por esse motivo possui seus próprios estádios.
O Futebol Australiano é muito mais popular que o nosso futebol e Melbourne é a capital do esporte na Austrália, na verdade foi lá que o esporte nasceu e onde os primeiros campeonatos foram disputados, isso é importante para entender porque o estádio tem apenas 30.000 lugares e será a casa de três times de dois esportes diferentes.




Após a construção uma empresa comprou os direitos o estádio mudou de nome para AAMI Park.
O projeto foir ealizado pelo COX Architects, ums dos mais tradicionais escritorios da Asutralia, o arquiteto Philip Cox é um dos pioneiros em arquitetura esportiva do país, é um dos autores da Rod Laver Arena e entre outros projetos seu escritório projetou a maioria dos estádios das Olimpíadas de 2000 em Sydney.




Apesar de esteticamente ser completamente diferente do Skilled Stadium, eh possivel perceber que as tecnicas e simplicidade construtiva sao praticamente as mesmas, estruturas para a arquibancada e uma cobertura em estrutura metalica. Por mais que a cobertura seja rigida e plasticamente mais complexa, ela é totalmente modular, uma repeticao das mesmas pecas e dois tipos de paineis para vedacao, um opaco outro translucido. A cobertura ainda tem fixada milhares de LED's que podem ser programados e criar efeitos e cores diversas a noite, mas o mais interessante é a leveza da estrutura que cumpre seu papel com muita elegância e inteligência, não há um pilar sequer nas arquibancadas e o resultado estético é sensacional, na minha opinião é muito mais bonito que muitos estádios mais badalados, caros e que foram construídos em países com mais tradição no futebol.

Além da excelente localização e proximidade ao transporte público, o estádio possui estratégias comuns na maioria dos projetos que apresentei no blog até agora e em quase todos os que tenho conhecimento, como reservatório de água de chuva, reaproveitamento da água nos banheiros, iluminação de baixa potência e automação para controle do consumo, aproveitamento de ventilação e iluminação natural, materiais reciclados e reaproveitados no próprio canteiro, etc.





O estádio ainda abriga escritório para administração dos clubes, departamento médico, 800 m² de infra-estrutura para condicionamento físico e reabilitação incluindo ginásio, academia e piscina. 24 espaços para locação durante os jogos, 14 lanchonetes e 14 bares, salão para jantar e eventos com capacidade para 1000 pessoas, bar/lanchonete e loja dos times com acesso fora do estádio e capacidade para 30.000 torcedores.

O custo total foi de AU$ 270 milhões, aproximadamente R$ 450 milhões, em tempos de Copa do Mundo no Brasil e estádios de R$ 1 bilhão,  é algo para se pensar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

#1 Bligh St. - Sydney



O edifício 1 Bligh st. é o primeiro projetado usando 100% tecnologia BIM (Building Information Modeling) em Revit na Austrália e foi projetado pelo escritório australiano Architectus em parceria com o escritório alemão Ingenhoven. É o edifício em Sydney que conseguiu a maior pontuação no Green Building Council atingindo 84 pontos, recebendo 6 estrelas no projeto e no as-built e ainda 5 estrelas no sela NABERS australiano.
Segundo os arquitetos, as três diretrizes que guiaram o projeto foram: a vista da baía, o espaço público e o ambiente de trabalho.
O terreno fica numa esquina e de frente para um calçadão que conecta diretamente com o Circular Quay, um cais que dá a volta na enseada entre o bairro The Rocks (onde a primeira colônia se estabeleceu em Sydney) e a Opera House, um dos principais cartões postais da cidade, ponto de encontro turístico e porto principal onde todos as embarcações de transporte público chegam e conectam com o metrô. Com poucas obstruções, a vista para a baía tem que ser explorada ao máximo, pois será determinante não só na qualidade do espaço, mas principalmente no preço do aluguel e retorno do investimento.


A grande maioria dos edifícios em Sydney, e na Austrália em geral, tem acesso restrito apenas a partir dos elevadores, na verdade em muitos é possível entrar e conhecer o prédio inteiro sem que alguém lhe peça qualquer tipo de identificação, isso permite que o pavimento térreo seja permeável e interaja com a cidade, muito parecido com uma das principais características do modernismo brasileiro. É muito comum o térreo ser ocupado por cafés, bares e lojas, mas principalmente é uma extensão da calçada.


Os andares variam de tamanho, atingindo um máximo de 1.600m² e com 92% de área útil. A planta elíptica permite que 40% da área de escritório se localize a no máximo 4,5m da fachada principal e a distância máxima é de 8m entre a fachada e o átrio central, que permite além da ventilação e iluminação natural, que haja contato visual com outros andares.

O investimento total do empreendimento é de AU$ 270 milhões para 42.700m² de área útil alugável.
80% do PVC que seria utilizado foi substituído por outro material não derivado de petróleo, 90% do aço utilizado tem na composição 50% de material reciclado e 90% do entulho produzido no canteiro foi reaproveitado.
Mais detalhes sobre as estratégias de conforto ambiental e conservação de energia do edifício AQUI e AQUI

terça-feira, 14 de junho de 2011

Edifício Pixel - Melbourne


Dia 6 de julho um engenheiro da Umow Lai, empresa de consultoria de conforto ambiental e conservação de energia, vai ao escritório em que trabalho falar sobre a consultoria feita ao projeto do Edifício Pixel em Melbourne.
Ok, o prédio é meio estranhão, mas tá meio que no "estilo contemporâneo" aqui da Austrália, talvez eu ainda não tenha escrito sobre isso mostrado exemplares do tipo, mas principalmente em Melbourne é impressionante a liberdade formal e a variedade e mistura de materiais que usam. Na minha opinião a Austrália ainda está construindo uma identidade arquitetonica misturando sua cultura com uma forte influência da arquitetura européia (que dominam as publicações) e uma variedade de referências asiáticas que aparecem pontualmente em alguns projetos.


Esse edifício conseguiu 6 estrelas no Green Star com 105 pontos (pontuação máxima de 100 mais 5 por inovação), não consegui apurar, mas nenhum edifício na Austrália conseguiu essa pontuação até hoje.
O projeto é do Studio 505, mas iniciativa foi da construtora Grocon que idealizou o edifício como um protótipo de como devem ser construídos os próximos escritórios na Austrália.

O edifício é o primeiro Carbono Neutro da Austrália, ou seja, o edifício produzirá toda a energia que consome e o seu excedente será colocado na rede. É 100% independente da rede de água e usará 100% de ar fresco (o ar aquecido ou resfriado é liberado depois de circular pelo edifício), terá também um sistema automatizado de ventilação noturna para resfriamento do edifício. Os chillers serão a gás e não elétricos, como em tradicionalmente na Austrália, reduzindo muito o consumo de carbono, o uso de amonia como combustível para refrigeração significa nenhum risco de degradar a camada de ozônio.
Captação de energia solar por paineis de células fotovoltáicas fixos e ajustáveis, e uso de uma nova tecnologia em turbinas eólicas pela primeira vez utilizadas na Austrália.
Foi também utilizada uma mistura de concreto desenvolvida pela Grocon que reduz à metade o uso de carbono através da utilização de agregados reaproveitados.
Segundo a construtora, após exaustivos estudos de 3D o edifício atingiu aproveitamento de 100% de luz natural com controle de ofuscamento apenas com o sombreamento dos brises e telas externas, sem a necessidade de cortinas ou persianas.
Mais detalhes AQUI



Estou bastante curioso para esse palestra, conhecer com mais detalhes o projeto desenvolvido e entender as estratégias utilizadas, até porque os dados são bem otimistas, pra não dizer impressionantes!

domingo, 12 de junho de 2011

Biblioteca em Surry Hills - Sydney



Surry Hills é um dos bairros mais interessantes e charmosos de Sydney, popular por ser residencial de baixa densidade e com arquitetura muito preservada, bem próximo do centro da cidade e principalmente pelos restaurantes e bares que se estendem pela Crown st. É o tipo de vizinhança que atrai artistas, designers e arquitetos, não por acaso muitos escritórios se estabeleceram na região e os bares se tornaram ponto de encontro.
Na Austrália a biblioteca tem função de centro comunitário e além do acervo impresso ou multimídia (e internet grátis) oferecem todos os tipos de cursos e palestras que atraem os moradores, cada bairro tem a sua com um perfil diferente e moldado pelo interesse dos moradores.




Em Surry Hills a biblioteca era muito pequena que não conseguiu acompanhar as mudanças e valorização do bairro, cada vez mais rico culturalmente, em 2004 foi discutida a necessidade de se construir um novo edifício que pudesse abrigar um acervo melhor e servir mais pessoas. Em 2005 o escritório FJMT venceu a concorrência para desenvolver o projeto da nova biblioteca, os moradores foram consultados e definiram as diretrizes que deveriam ser seguidas para o novo projeto, o edifício ficou pronto em 2009 com um custo aproximado de AU$ 16 milhões





Umas das condições seria criar um edifício que servisse de referência em sustentabilidade para outros novos edifícios, algo que deixasse uma marca na cidade. Sem dúvida um assunto que é moda hoje em dia, mas que é compreensivo pelo ponto de vista do poder público, um edifício desse porte é planejado para durar entre 50 e 100 anos e é mais inteligente investir mais dinheiro num projeto mais caro que reduzirá sensivelmente o gasto com manutenção e o consumo de energia já que a prefeitura é quem arcará com essas despesas ao longo de todos esses anos. A população aqui compreende e exige esse tipo de postura do governo.







O programa é distribuído em 4 andares, no térreo e no subsolo estão sala de leitura e acervo, no primeiro andar as salas comunitárias e eventos e no segundo andar a área infantil e creche.
Em parte do terreno foi criada uma pequena praça que destaca o edifício, principalmente por revelar a fachada de vidro com as plantas, a transparência nesse caso tem função de convidar as pessoas ao edifício, por isso o sala de leitura está no térreo e o acervo "escondido" no subsolo, mas com passagem pelo átrio de pé direito triplo onde estão as plantas, uma escada escultural que indica o acesso. Os outros dois andares são mais protegidos do público.



Painéis de célula fotovoltáica produzem energia complementar que pode contribuir em até 6 horas diárias.
A água da chuva é coletada na cobertura e armazenada em um tanque de 62 mil litros, 100% essa é usada (e re-utilizada) nos banheiros e em irrigação.
O ar é coletado em uma abertura no alto do edifício e cruza a fachada envidraçada (sul), uma espécie de "átrium verde" onde está plantada a vegetação que naturalmente filtra o ar, que depois é conduzido no subsolo onde passa por um labirinto de concreto que funciona como um radiador retirando o calor do ar, que resfriado cruza todos os andares do edifício, esse sistema reduz em 50% o uso de ar-condicionado.
Os brises na fachada principal possuem sensores que "seguem" o Sol protegendo a fachada da radiação direta e permitindo a iluminação natural.